sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

No dia seguinte, Bella se espreguiçou e buscou Edward com uma das mãos. O lugar ao seu lado esta va vazio, e ela abriu os olhos. A porta do banheiro não estava de todo fechada e pôde ouvi-lo no banho. Olhou o relógio com um sorriso satisfeito e vagaroso. Eram quatro da tarde.
Mais cedo, naquele mesmo dia, Edward havia voa do com ela a Marrakech para o café-da-manhã em um fabuloso e tradicional hotel. Depois, a levou para co nhecer uma das mais populares feiras do Marrocos, também naquela cidade. Tinham retornado para o castelo nas montanhas na hora do almoço. No terra ço, onde foi servida a refeição, eles se sentaram sob as árvores e desfrutaram do ar primaveril do deserto.
Bem antes de o último prato chegar, eles já haviam saído da mesa para fazer amor.
O telefone tocou na cabeceira da cama. Havia no tado que Edward nunca deixava de atender a qual quer ligação. Após um segundo de hesitação, ela al cançou o aparelho e o atendeu. Uma enxurrada de pa lavras estrangeiras a fez perceber que sua intenção de ser prestativa fora em vão.
— Perdão ... em que posso ajudá-la — perguntou Bella em inglês.
— Quem é você? Alguma secretária nova? — A mulher do outro lado da linha perguntou rispidamente. — Passe-me para o meu noivo.
Bella franziu a testa, confusa:
— Seu noivo? Quem gostaria de falar com ele?
— Tania. Quem mais? — A mulher respondeu com escárnio. — Vamos, chame logo ele... Não tenho o dia todo!
Bella pôs o telefone na cama com a mão trêmula. Descobriu que não estava conseguindo respirar di reito. Curvou-se como se tivesse levado um soco no estômago. Devia haver algum mal-entendido, pen sou. Talvez a mulher estivesse brincando ou mentin do, por alguma razão. Afinal, Edward não seria capaz de enganá-la de forma tão vil. Seria? Não podia ser tão ingênua. Podia? Percebeu, com o coração aperta do, que nunca havia perguntado se ele tinha alguma mulher. No entanto, Edward sabia que ela acreditava que ele fosse solteiro.
Levantou-se e vestiu o penhoar de seda turquesa que havia posto mais cedo. Enquanto amarrava o laço sobre a cintura com mãos trêmulas, pelo fone que ha via deixado apoiado na cabeceira, ouvia a mulher que continuava falando com irritação e raiva.
Edward apareceu com uma toalha enrolada na cin tura. Ela apontou para o telefone:
— Tania está na linha.
Ele ficou imóvel por apenas uma fração de segun do e os traços do rosto elegantemente bronzeado e belo não o traíram nem por um instante. No entanto, naquele momento Bella soube que não havia ne nhum mal-entendido, nenhuma piada ou mentira: o homem por quem havia se deixado apaixonar louca mente estava comprometido com outra mulher. A temperatura do corpo despencou e ela começou a suar frio. O choque era tamanho que o estômago co meçou a provocar desconforto em Bella.
Edward lançou um olhar arguto para ela. Estava pálida. Ele não conseguia se concentrar na conversa com Tania, que, como sempre, estava relacionada com um dos temas extravagantes e inapropriados da festa de casamento. Não tardou muito a encerrar a conversa e dispensar a noiva. Pôs o telefone no gan cho e se voltou para Bella.
— Não era desta maneira que você deveria saber sobre Tania — lamentou ele. — Mas até você vir para cá, acreditava que já soubesse da existência dela. Meu noivado é do conhecimento de todos.
— Mesmo assim, tinha que ter me contado.
A voz quase lhe faltou, pois a cada palavra que ele pronunciava, o pesadelo se tornava ainda mais real e mais difícil de suportar.
— Tinha a intenção de contar a você quando vol tássemos para Londres.
— Depois de ter se divertido à vontade? — ironi zou ela, sentindo-se extremamente humilhada. — Há quanto tempo está noivo?
— Há uns dois meses. Não vi razão para introme ter esse assunto entre nós.
Bella estava decepcionada demais com a desco berta e apenas conseguiu balançar a cabeça, incrédula com o argumento dele. A conversa tinha sido um ver dadeiro nocaute, pois a reação dele estava sendo inver sa ao que ela havia imaginado.
Edward não estava se desculpando ou inventando desculpas. Na verdade, nem ao menos assumia o pró prio erro.
— Quero que pense a respeito e considere o fato de que o que tenho com Tania não tem nada a ver com a relação que tenho com você.
Uma risada cáustica e mortificada saiu da boca seca de Bella:
— Não preciso que me digam isso. Posso não ser muito sofisticada, mas mesmo uma pessoa como eu sabe a diferença entre um anel de noivado e o equiva lente a um fim de semana promíscuo e sujo!
O corpo enérgico de Edward se enrijeceu.
— Não foi isso que aconteceu entre nós.
— Não sei o que aconteceu entre nós, pois desde o primeiro dia tenho vivido uma mentira — anunciou Bella violentamente. — Por que me envolveu nesta situação tão sórdida? E para que quer ficar noivo se não pretende ser fiel?
— Talvez porque fidelidade não seja tão impor tante para algumas pessoas como é para você — reve lou Edward. — Só posso garantir que minha cons ciência está tranquila com relação ao meu noivado.
— Bem, o problema é seu ... e da sua noiva, que deve estar tão desesperada que aceitou essas condi ções. Mas, pelo menos, ela teve escolha.
Bella o olhava, admirada com a expressão im passível dele e com a teimosa recusa em admitir que havia cometido um erro.
— Eu não tive essa chance. Você mentiu para mim...
— Não contei nenhuma mentira — insistiu ele.
— Mentiu ao omitir a verdade.
Placas vermelhas coloriram as bochechas de Bella, tamanha era a raiva que sentia.
— Ontem à noite, você sabia que eu não imagina va que estivesse noivo, pois deixei claro que não estaria com você se não fosse solteiro. Mas você prefe riu ficar calado.
— Tínhamos acabado de fazer amor. Não vi senti do algum em desapontar você aqui, tão longe de casa.
Foi naquele preciso momento que Bella perdera a paciência, pois ficou claro que Edward era muito teimoso.
— Em outras palavras, pôs seu conforto em pri meiro lugar e decidiu que seria melhor me fazer de tola. Em nenhum momento se preocupou se eu estava traindo meus valores ao me envolver com um homem que está planejando casar com outra mulher. Ou se ofato de saber que nossa relação não é algo especial e único me deixa enojada!
O rosto bonito dele estava rígido, contrariado.
— Claro que me preocupei. Mas não dá para viver a vida toda seguindo regras tão rígidas.
— Principalmente se essas regras se chocam com os desejos do sr. Edward Cullen, não é verdade? — Bella o confrontou. — Tenho bons motivos para respeitar os valores que escolhi seguir.
Edward a analisou com olhos brilhantes e in tensos.
— Há muito tempo não desejo uma mulher como desejo você. Desistir da nossa história nunca foi uma opção.
— E, obviamente, estamos falando apenas de sexo, pois meu irresistível poder de sedução não é su ficiente para impedir que você se case com outra pes soa. O curioso é que antes me acusou de não saber me comportar. Não acha que tinha o direito de saber que seria apenas um caso passageiro, um fogo de palha? Se tivesse algum respeito por mim, não teria me tratado maneira!
— Você está equivocada. O que senti por você foi atração explosiva. E não acredito que negar sentimentos torne alguém uma pessoa melhor.
Com esta réplica pungente, Edward foi até o closet e pegou uma roupa limpa para vestir.
— Conversaremos sobre isso quando estiver mais calma. Acho que discussões são perda de tempo e de energia.
— Não me importa o que acha. Quero apenas que me arranje um jeito de sair daqui o mais rápido possível. — Ela ergueu o queixo e reuniu todo o seu orgulhopara esconder a dor que sentia. — Também não voume importar se tiver que ficar horas no aeroporto esperando pelo próximo vôo para Londres.
— Isso é loucura. Por que vai embora? Não faz sentido dizer que o que existe entre nós é casual — insistiu Edward veementemente. — Quero você na minha vida.
— Sinto dizer que esse é um daqueles raros casos em que você não consegue o que quer.
Os olhos chocolates de Bella cintilavam cheios de censura.
— Não vou deixar você ir embora.
— Não tem escolha.
Bella escancarou a pequena mala que havia levado e começou a guardar os poucos itens que trou xera de casa. Ela o odiava, porém a aterrorizava o fato de que a imagem angustiante dele nos braços de outra mulher a torturava lentamente. Para se manter sã, tratou de permanecer ativa e prática.
Edward observou-a empilhar seus pertences. Não gostava de confrontos emocionais. Não lidava com emoções, ponto final. Nunca havia se metido em con fusões amorosas ou em promessas e muito menos deixado se levar por histórias com finais felizes para sempre. Mas sabia que ela acreditava naquilo tudo e que a tinha magoado. Preferia dar um tempo para que ela se acalmasse. Não acreditava que ela fosse, sim plesmente partir e abandoná-lo.
Uma hora depois, Emmet o informou que Bella estava no salão principal com a bagagem. Edward fi cou olhando para a tela do computador e se deu conta de que não havia feito nada durante todo aquele tempo.
Vestida com uma blusa branca e uma saia jeans e com os gloriosos cabelos presos na nuca, ela estava de pé, em frente à janela.
— Entendo que esteja decepcionada, mas acho que poderia ser mais flexível — disse Edward terna mente.
— Edward ... — sussurrou Bella, interrompendo-o. — Ser flexível é apenas uma forma diferente de dizer ser usada por você, e não sou masoquista. Mas já cheguei à conclusão que tudo o que aconteceu en tre nós não foi inteiramente culpa sua. Tenho minha parcela de culpa também.
Os olhos verdes semicerraram-se.
— Como assim?
Bella queria contar a ele sobre Alice, porque es tava convencida de que seria a última vez que o veria.
— Para que você entenda, tenho de voltar nove anos no tempo, que foi quando vi você pela primeira vez. Tinha 14 anos.
Edward estava intrigado.
— A primeira vez? Como? Onde?
— Você visitou minha irmã gêmea na clínica para crianças.
Ele franziu a testa, desconcertado.
— Em uma clínica?
— O nome dela era Alice... e, não, você não repa rou em mim em nenhuma das visitas. Era apenas uma das fãs no meio das pessoas em volta do carrinho de chá. Minha irmã tinha leucemia e pouco tempo de vida. Um dia, você voltou com o cantor da banda favorita dela. Alice ficou exultante. Você era o ídolo dela e naquele dia se tornou o meu também, por ter sido tão generoso e bondoso com ela.
Edward estava chocado com o que ela lhe dizia. Também perdera uma irmã gêmea quando era adoles cente, mas era um assunto proibido para ele. Além disso, aquela revelação havia conseguido penetrar sua armadura de homem frio e calculista. Ele era o herói dela. Aquilo era mais doloroso que uma surra.
— Sua irmã, Alice, morreu?
Bella fez que sim, estampando a tristeza nos be los olhos.
— Sinto muito. Durante anos visitei centenas de crianças. Infelizmente não me lembro dela — admi tiu ele.
— Faz muito tempo. Não esperava que se lembras se. Apenas queria que soubesse que mesmo que tudo dê errado entre nós, no campo pessoal, sempre serei grata por você ter feito minha irmã tão feliz enquanto estava viva.
— Não quero sua gratidão, pedhi mou. Esse tipo de gratidão é algo que nunca quis de ninguém.
— Mas, pelo menos, espero que isso explique o motivo que me fez ter agido tão impulsivamente, quando, finalmente, tive a chance de falar com você pessoalmente. Tinha essa falsa imagem da sua pessoa — uma imagem imatura, infantil. E sei que acabei causando a impressão errada também.
— Theos mou ... Não diga isso, não é verdade.
— Preciso ir.
Bella não se permitia voltar a encará-lo. Emmet já lhe havia avisado que o helicóptero a aguardava para levá-la até o aeroporto. Edward tinha o poder de deixá-la débil e hesitante, mas estava determinada a ser forte e ir embora com dignidade.
— Você não me causou nenhuma impressão erra da — rebateu ele. O sotaque estava mais carregado do que de costume. — Quando vi você, o estrago já estava feito. Meu instinto de caçador é muito forte e quanto mais você resistisse mais eu a desejaria. Me desculpe por ter magoado você. Mas pense bem antes de ir embora e dar as costas ao que temos juntos. Algo tão especial não se encontra com facilidade.
— Mas foi uma farsa — rebateu ela, com tanta amargura que precisou lutar para esconder.

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