domingo, 29 de janeiro de 2012

- Sabe aquela garota ali.
- Onde? - perguntei.
- Aquela ali, sentada no banco da praça.
- Ah, o que tem ela - murmurei.
- Ela é tá tão estranha, não acha? Sei lá, ela mudou tanto. Eu andava com ela, mais depois ela ficou tão esquisita, parei.
- Esquisita? Como? - Retruquei, encarando aquela garota de expressão esgotada e irritada.
- Ah, olhe para ela. Olha essa maquiagem forte, esses olhos escuros e essa boca vermelha em plena luz do dia? E por que se vestir assim? Essas roupas são tão vulgares, quer dizer... eu nunca sairia de casa assim. E olhe para o cabelo dela, que descuido! Ele era um dos mais lindos daqui do bairro. E outra, você já viu o pessoal com quem ela andando? - Me perguntou erguendo as sobrancelhas, incrédula. Nem me esperou responder. - Um amigo meu, que é vizinho dela, disse-me que as pessoas que ela anda são bem barra pesada. Eles bebem, saí pra farra, fazem a baderna toda e a noite inteira. Acredita, ela fez uma festança na casa dela semana passada enquanto os pais estavam viajando, disseram que rolo drogas, bebidas e tudo o mais, teve um morador chamou a policia, pois não aguentava o som. Provavelmente ela deve está chegando de umas farras dessas(...) -
   Enquanto a Amanda tagarelava mais coisas sobre aquela garota, percebi que ela se levantava. Pudi ver a maquiagem borrada, os olhos escuros e fundos. As roupas, a meia rasgada, dai entendi o que ela diz dizer com: "eu nunca sairia de casa assim"(...) Me parecia que ela ia chorar a qualquer momento, mas não. Ela inspirou profundamente e se levantou. Inspiro todo o ar que os pulmões possivelmente aguentaria e sorrio. Um sorriso digno do palavrão "foda-se". Mudo a expressão de tal forma que chego a me surpreender.
  Teu rosto de menina assumiu uma forma irônica e debochada. Com um meio sorriso no rosto que poderia ser muito bem considerado como um sorriso safado. Se ajeitou; calçou os sapatos que estavam jogados do lada do bando, pego uma garrafa de whiskey - já pela a metade - escondido em algum lugar ali. Tiro da bolsa um masso de cigarros, pego um e o pós na boca, logo depois o acendeu.
  Bagunço um pouco mais os cabelos rebeldes, o jogou para um lado e outro. E saio. Uma saída digna de quem já sofreu bastante, e mesmo assim, enfrenta o vento.
- Eu não sei porque ela mudou tanto assim... - Amanda mais uma vez me perguntou, me fazendo lembrar da tua presença.
- Talvez ela tenha amado - Sugeri ainda observando aquela garota que dava as costas a todos que, assim como nós, falavam dela. - Talvez ela ainda ame.

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