quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Coincidência foi ter te encontrado no meio daquela rua. Pior que naquele trecho, não tinha movimento algum. Pensei em atravessar a rua, ir para uma outra ponta, jogar o cabelo na cara, me fingir de desconhecida. Mais pensei... porque não? Fiz questão de esbarra no teu ombro, fiz questão de dar dois beijinhos e de perguntar como você estava. Fiz questão de esbanjar um sorriso enorme quando a pergunta foi dirigida a mim, e a cada minuto daquela nossa breve conversa. Observei que você não tirava os olhos do meu decote, como sempre e que tocava muito em mim, até me ofereceu ajuda com as bolsas. Que você correspondia aos meus sorrisos muito bem e que perguntou coisa sobre a minha vida, mais do que a educação permitia. Constatei que você usava aquela blusa que eu te dei, que você dizia não gostar. Você estava com o corte de cabelo que eu tanto insistia para você usar... eu sabia que ia ficar perfeito em você. Bom, ele é feito para você. Você até estava todo ajeitado e engomado... quer dizer arrumado, pra quem dizia que nunca ia largar o jeito mulambo e de malandro; você estava muito bem, devo dizer. Dei umas discretas cafungadas e não sentir aquele cheiro insuportável de maconha. Você estava cheiroso, um cheirinho de erva-doce; gostoso. Muito bom, diria eu. Acho que você estava atrás de emprego, aquela pasta na tua mão só podia dizer isso. Ou sei lá, coisas sobre você não me interessam mais.


Então você esquece as palavras, diz o que não deveria dizer... se cala quando deveria falar. Pede perdão quando nem ao menos sabe o que se fez, e quando faz

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