quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

  Passei a mão no rosto angustiado. Cara, eu tinha acabado de chegar do trabalho, estava cansado. Quem diabos estava batendo na minha porta há uma hora dessas? E porque estava batendo na minha porta? A porra do porteiro servia para quê? E o caralho do interfone? Abri a porta pronto para xingar o desgraçado e me deparo com ela. A desgraçada. Com aquela familiar hesitação, os dentes sobre os lábios e braços cruzados. Não conseguir verbalizar nenhum pensamento embora tivesse uma torrente deles em minha mente e acho que ela se encontrava na mesma situação. Já que nenhum de nos proferia algo, permanecemos assim por uns bons quinzes minutos ou mais, eu não sei direito, não contei. Um encarando o outro. Só me vinha a cabeça que a mulher por quem eu estava sofrendo e terrivelmente apaixonado estava a minha frente. E ela sabia disso, pela a cara dela ela sabia muito bem o que estava acontecendo ali. E isso só aumento a minha vontade de segura-la pelos ombros e sacudi-la até ela me responder o porque tanta confusão, tantos muros entre eu e ela, os sumiços. E porque o celular dessa só dava caixa postal. E porque ela anulava o pouco de esperança que eu tinha sobre a gente,  porque tampava todas as saídas que eu encontrava com esforços para a gente. E também de agarra-la e beija-la até os pulmões pedirem por ar. Aperta-la contra mim e sentir o calor daquele corpo minusculo que eu tanto adoro. E por, nem que se fosse a força, enfiar na cabeça dela que nem ela é capaz de me tirar de perto dela. Sussurrar no ponto fraco dela que ela é minha e de mais ninguém. Querendo ou não. Eram tantas coisa que o máximo que eu pudi fazer foi encara-la.
   Então ela respirou profundamente:
— Oi, Pedro.
  E o timbre daquela voz me penetro, não de uma forma boa, como antigamente era. Trouxe um misto de lembranças, doeu lá dentro, bem no fundo. E foi como se jogasse um balde de aguá fria sobre meu corpo quente e inercio pela a tua visita inesperada. Um choque aparentemente, tanto tempo sem ouvir a tua voz.
— Não vai me convidar para entra? — Perguntou com um sorriso escondido, tipico dela.
— Porque está aqui? — Enfim encontrei a minha voz e fui direto, me contive, mais fui direto.
— Não vai me convidar mesmo para entrar? — Perguntou-me novamente. E eu sabia que ela não soltaria nada ali. "Primeiro as minhas vontades e depois, quem sabe a recompensa."
— Tudo bem, entra.
— Obrigado. — Dito passou por mim, percebi que vestia um moletom azul meu, uma calça jeans e all star. Deu uma olhada no apartamento e se voltou a mim, novamente.
— Então... o que faz aqui? Porque esta aqui? Achei que nunca mais botaria os pés aqui e subir... já estava fora de questão. — Perguntei num tom sarcástico. E mais uma vez os sorriso escondido e a hesitação fizeram parte dela.
— Eu quis vir. — Disse em voz baixa, dando de ombros num gesto leve e ponto uma mecha do canelo atrás da orelha — Queria ver você de novo. — terminou olhando no fundo dos meus olhos.
— Porquê?
  Ela não me respondeu. Em vez disso caminhou até mim, sem desviar os olhos dos meus. Quando chegou perto fez menção de tocar meu rosto, não deixe. Segurei seus pulsos envolvidos pelo pano do moletom, queria evitar contato direto com a pele dela, o calor dela. E ela me olhou com um pedido mudo para que eu deixasse ela fazer o que ela queria fazer. E mais uma vez de nada pudi fazer a não ser deixar. Mas ela nunca me olhou daquele jeito... suplicante (...) Então acariciou a minha barba por fazer, tocou meu rosto e fechei os olhos sentindo a textura da pele dela... e o calor que ele exalava. Como um viciado fraco, me deixei levar pelo o toque da pele dela. Colocou uns dedos sobre meu lábios e murmurou:
— Shh... sem perguntas... só por enquanto. Por favor... — Abri meus olhos e a encarei.
 Ela até tentou sorrir, pudi ver isso. Mas não consegui; Chorou, coisa que até então eu nunca tinha visto. Ela chorou na minha frente e assim mesmo não desgrudava os olhos dos meus, e em vez de falar, me enlaçou com os braços em um abraço apertado. Eu até fiquei relutante em abraça-la de volta, enquanto descansava a cabeça no meu peito. Mais eu já disse que sou fraco né?
  Beijou meu pescoço e me puxou para mais perto. Passando a mão pelos os meus cabelos e percorreu meu rosto com a boca, até chegar nos meus lábios. Primeiro me beijou de leve, mal roçando os lábios nos meus, depois vei com mais voracidade, mais paixão. Sem me dar conta comecei a corresponder as tuas caricias. Minhas mão desceram lentamente até o teu quadril e num impulso só a suspendi. Caminhei com ela no colo até o quarto. A joguei sobre a cama, mas ela veio sobre mim. Devagar, muito devagar, começou a se livrar das roupas. O moletom... o jeans... o sutiã... a calcinha e sem nunca tirar os olhos dos meus. Me deu espaço pra me livrar das minhas roupas; tive um pequeno contra-tempo com a calça o que a fez sorrir de leve. Enfim terminei e percorri aquele corpo por qual estava irrevogavelmente viciado, enlouquecidamente dependente e todas as palavras que acabam com mente. Finalmente ela se aproximou e percorreu com as mãos meu peito, ombro, braços... começou a me apertar junto a si. A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. Tendo sufocar a saudade que sentíamos, porque ali pudi percebe que ela esta na mesma situação que a minha, que se encontrava com a mesma fome. Fome de nos mesmo. Perdi o controle, não sei se a machuquei ou não, também ela não reclamou em momento algum. Fizemos amor ferozmente, agarrados desesperadamente um a outro, saciando a qualquer custo a fome e matando a vontade que ameaça nos matar. E dessa vez foi diferente de qualquer ocasião que tivéssemos feito amor antes. Porque cada um de nos estava dolorosamente consciente do prazer do outro, cada toque mais fugaz do que o anterior. Era como se tivéssemos medo do que o futuro traria, parecia que tínhamos a certeza ali estampada a nossa frente que nos perderíamos para sempre, sem voltas. Que aquilo dali era uma despedida. Fizemos de uma tal forma, que com certeza ficaria marcado para sempre na memoria. (...)
  Quando estávamos esgotados, e não tínhamos mais força para nada. Ela saiu de cima de mim e se deitou ao meu lado. Cheguei mais perto dela, e ela me aninhou de forma que tocasse em meus cabelos. E passou as mãos por eles ritmadamente, me fazendo pegar no sono. Mas antes cheguei

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