sábado, 11 de fevereiro de 2012

me entender é missão suicida, apenas me acompanhe no embalo.

E eu te deixe ir, não sei como, mas deixe. Acho que me encontrava em estado de anestesia, eu só via e ouvia, não sentia absolutamente nada. Poderiam soltar fogos de artifícios ou bombinhas ao meu lado, no meu ouvido pra ser mais precisa e mesmo assim não sentiria o estrondo, ouviria sim, mais como um eco afastado. Então de nada pudi fazer, apenas fiquei ali, sentada aguarrada as minhas pernas te observando. Eu vi você pegar as malas em cima do guarda-roupa e joga-la no chão. Vi você procurara as pressas as tuas roupas, teus livros, teus pinceis... os meus quadros que você fez para mim. Eu vi você pegar tudo o que pudia me fazer lembrar de você naquele pequeno apartamento. Eu vi a pressa no teu olhar, naquele mar esverdeado que eu tanto adora me mergulhar. Eu vi o desleixo com que jogava as nossas coisas a procura das tuas. Eu vi você reclamar por aquilo está uma bagunça e não conseguir achar nada. Eu vi a tua ânsia, oras passava a mão no cabelo, oras esfregava pelo o rosto. Eu ouvia os teus passos ecoados indo e vindo sobre o carpete revestido de madeira. Eu vi você se desfazendo de mim e de nos. Pude perceber que você tinha acabo, pois tinha parado e me olhado, pela a primeira vez depois daquela discussão. E você me encarou, encarou daquela forma que fazia nos tempos que nos conhecemos, me medindo com o olhar, guardando todas formas para si, as minhas formas. — Lembrei-me do dia em que te perguntei o do porque você me encarava daquela forma e você dize-me sorrindo que apenas estava me guardando nas tuas memorias. Acho que quando me lembrei disso, acordei do estado decadente que me encontrava ali e te sorri. Te sorri o meu melhor sorriso, com lágrimas nos olhos, mais foi o melhor. Não poderia te deixar ir com aquela ultima lembrança. Você ao menos poderia lembrar-se de mim sorrindo, não é?(...) Então, você abriu a porta e saiu, arrastando algumas malas consigo, malas que continha partes da minha vida. E eu apenas te segui, com algumas lágrimas que teimava em cair e uns suspiros profundos. Você não olhou para trás até chegar ao elevador. Respirou fundo e se virou, me puxou de modo que nossos corações se juntassem e me encarou nos olhos. Aquelas orbitas verdes me fitaram pela uma ultima vez... acho que você espera que eu dissesse alguma coisa, era sempre eu a primeira a começar. Pois me calei, minha voz fugiu de mim, minha coragem se escondeu atras do meu medo; medo do que vinha depois de você entrar naquele elevador. Ao ver que meu silêncio tomara conta de mim não deixando escapar mais nenhuma palavra da minha boca. Você me sorrio, o teu melhor sorriso e me pegou no queixo e me beijou de leve nos lábios e depois na testa. Senti mais lagrimas molharem meu rosto e senti que não eram lágrimas minhas. Pode ver que aquele era o último beijo, o beijo de despedida. 

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